Privilégio mexicano

Na última segunda-feira, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, a jornalista, ciclista e ex-candidata Soninha elegeu o Mundial Interclubles, disputado todo final de ano no Japão, como tema central e único para sua crônica. Ali, ela questiona diversos pontos, compara a Champions League com a Libertadores, fustiga a falta de interesse da imprensa e público do Brasil quando não há um clube brasuca envolvido, relembra antigos formatos, em suma, Soninha propõe um oportuno e esclarecido debate sobre esta importantíssima competição (talvez a maior delas) para os clubes e torcedores de futebol. Mas, surpreendentemente, deixou de falar do maior dos absurdos deste Mundial: a presença de uma equipe mexicana. Como pode as equipes do México disputarem a Libertadores da América e, mesmo indo mal nessa competição, terem uma vaga garantida no Mundial? O que México tem que os outros países do mundo não têm (além de mexicanos)?  Não vi nenhum - e nenhuma - jornalista de qualquer mídia falar disso. Talvez nem tenham percebido… Nem Soninha percebeu… Vejam, se os mexicanos têm vaga garantida no Mundial, por que vêm meter o bedelho na Libertadores da América, competição organizada pela Conmebol? Ou uma coisa ou outra, muchachos! Eles que fiquem lá em cima, como fazem, aliás, nas Eliminatórias para a Copa. Quer dizer, quando convém, eles são norte-americanos. É brincadeira! Dá pra entender um absurdo desses? Pior do que isso é a alienação da imprensa, nem mesmo em uma crônica que se propôs a falar só do Mundial Interclubes isso foi observado.

Fabiano Rampazzo

1 comment dezembro 23rd, 2008

Piada Fenomenal

No dia 27/11, ou seja, há pouco menos de um mês, o Jornal Placar tratou a contratação de Ronaldo pelo Corinthians como piada. Na oportunidade, mais do que desconsiderar a vinda do fenômeno, a reportagem fazia graça com o que julgava impossível - tudo isso assinado por seus repórteres e editor. O que aconteceu, todos vocês sabem: Ronaldo foi contratado pelo Corinthians.

O jornal, de alguma forma, se retratou?

Miguel Archanjo Neto

1 comment dezembro 23rd, 2008

Kléber Machado, o contador de histórias

Quando vê uma partida de futebol pela TV, você gosta de saber que jogador do seu time deu aquele passe errado que gerou um contra-ataque adversário, qual dominou mal e deixou a bola sair pela lateral, quem fez aquele desarme na hora certa, quem atrasou o jogo na hora errada? Gosta? Esqueça isso tudo se esta partida for transmitida por Kléber Machado, narrador da Rede Globo. Para Kléber, tudo é ou pode ser mais importante que o jogo. O corte de cabelo dos jogadores, as contratações do clube, a roupa do juiz, os convidados do Domingão do Faustão, tudo isso é dito no mesmo instante em que o jogo rola solto na tela de seu televisor. Reparem, ele se volta para a partida só quando a bola ultrapassa a intermediárea, lances de meio-de-campo ou nas laterais são desprezíveis. Às vezes, parece até que ele tem dificuldade para identificar o nome do jogador. Mas o motivo, em verdade, é o que menos importa, pois ele (o motivo) se apequena diante do fato: Kléber Machado fala a transmissão inteira e não narra o jogo de futebol.

Fabiano Rampazzo

2 comments novembro 13th, 2008

STI F.C

Assistindo ao jogo entre Palmeiras e Santos, algo me incomodava durante a transmissão, e logo pecebi o que era, o logo do patrocinador da camisa do Santos, a STI Informática. É de uma falta de proporcionalidade, deve ser umas 5 vezez maior que o escudo santista e ainda fica acima do peito, para não ter chance de não aparecer na televisão. Chega a ser grosseiro.  Será que torcedor santista não tem a mesma impressão? O que não entendo é como o clube deixa isso acontecer, porque não duvido que alguns torcedores deixaram de comprar a camisa oficial por conta disso, um verdadeiro anti-marketing. E ninguém diz nada.

Daniel Palma Lissoni

3 comments novembro 2nd, 2008

A verdade de Luíza Possi

Longe de mim diminuir a capacidade de uma mulher, cantora, comentar e enxergar o futebol. Mas me admirou muito o fato de que Luíza Possi, filha da Zizi, que esteve ontem no programa Bem, amigos, do canal Sportv, seja capaz de dizer e definir o principal problema da seleção brasileira enquanto eles, Renato Maurício Prado, Paulo César Vasconcelos, Caio Ribeiro, Alberto Helena Jr. e Luiz Roberto, não são! “O que me incomoda é que a seleção, de brasilidade, tem muito pouco. Não se vê no semblante dos jogadores aquela vontade de ganhar, eles não parecem ficar chateados, se preocupar com aquilo”, disse Luíza, pontuando o maior problema de nossa seleção há alguns anos: a falta de identidade com a torcida. No mesmo programa, Renato Maurício Prado disse que a seleção se divorciou da torcida, mas não disse o porquê! Se não é Luíza vir ao microfone dar luz às trevas… Repito, minha perplexidade não é com o fato dela ter enxergado isso. Mas tem cabimento ter que vir uma cantora dizer num programa esportivo o que esses firulentos que trabalham com isso não conseguem?

Fabiano Rampazzo

2 comments outubro 21st, 2008

Salário

No  Arena Sportv desta sexta-feira discutiu-se muito a crise e falência dos clubes do Brasil e do mundo. Em dado momento, o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, disse claramente que os salários pagos aos jogadores hoje são irreais e que prejudicam os clubes. “Eu quero pagar menos! O Corinthians quer pagar menos! Do jeito que está não tem como”, disse Juvenal, dando a deixa para uma fundamental discussão e questionamento dos absurdos salários que os jogadores recebem, sobre a possibilidade de se determinar um teto em todos os clubes do País e, claro, sobre responsabilidade e comprometimento com o próprio torcedor - afinal que identidade pode haver entre um centroavante que ganha 400 mil e seus fãs que vivem de um salário mínimo? (Caro internauta. A quantia que você, que está lendo este post agora, recebe em 20 anos de trabalho, tem jogador que recebe num mês!). Legal… e você acha que algum jornalista do programa fez algum comentário sobre isso?

Fabiano Rampazzo

5 comments outubro 17th, 2008

Brasileiras e brasileiros?

Na última quarta-feira a seleção jogou mal, bem mal, e mais uma vez empatou em casa num insosso 0 X 0. O futebol não fluiu mesmo, faltam opções táticas e técnicas para nosso time vencer um adversário que marca bem e isso não se discute. Agora, isso justifica a torcida presente no Maracanã gritar “olé” quando a Colômbia tocava a bola? Que brasileiros são estes?

Ao final do primeiro tempo (eu disse do PRIMEIRO TEMPO) um grito de “olé” acompanhou o toque de bola colombiano que quase resultou em gol. Se a bola tivesse entrado, os brasileiros comemorariam o gol da Colômbia? É isso? Lá pelas tantas, o narrador Kléber Machado deu aval à manifestação da torcida, “o torcedor que sai de casa, pega a condução, vem até o estádio, vai chiar mesmo”. Desculpe, mas ninguém obrigou esse torcedor a ir ao estádio, ele que ficasse em casa! O torcedor que vai ver seu time no estádio não está fazendo um favor para o time, so sorry, ele está indo lá para torcer! Se eu estivesse lá gritaria Brasil até o fim do jogo! Depois, sim, iria na porta do ônibus cobrar técnico e jogadores. Mas, durante a partida, precisando dos três pontos, não posso admitir um torcedor, que se diz brasileiro, torcer por um gol da Colômbia.

Fiquei triste com o futebol apresentado pela seleção de meu País, mas muito mais triste ainda com a postura das “famílias” (estas que os jornalistas tanto pedem ao estádios, e que estavam lá), que se dizem brasileiras. Se o estádio estivesse com portões fechados talvez tivéssemos ganho o jogo.

Fabiano Rampazzo

2 comments outubro 16th, 2008

Festa e bolo sem recheio

Kaká e Robinho foram homenageados hoje no Maracanã. Kaká colocou seus pés na calçada da fama e Robinho pelos seus dribles ganhou um painél de fotos. Agora pergunto a você, o que eles já ganharam pela seleção? O que fizeram na última Copa do Mundo? E nas Olimpíadas? Você deve estar começando a entender a minha indignação. Nem uma longa história pela seleção os dois têm para justificar tal homenagem. Kaká estava em 2002 mas como reserva e Robinho mal jogou uma Copa do Mundo inteira. Agora eles terão que justificar essa “fama” toda ganhando alguma coisa mais importante que Copa América. Concordam?

Daniel Palma Lissoni

3 comments outubro 14th, 2008

Imprensa esportiva brasileira é firula pura

No texto de José Geraldo Couto na Folha de São Paulo, do dia 13 de Setembro, ele comprova a nossa (blogsemfirula) tese que a imprensa esportiva brasileira não trata o esporte com a devida crítica que o assunto merece. Na sua maioria, a imprensa, quer mais agradar do que criticar. Ainda bem que existem alguns jornalistas que compartilham dessa mesma opinião. Segue abaixo o texto do colunista da Folha.

Daniel Palma Lissoni

Hora do recreio

JOSÉ GERALDO COUTO


Com poucas exceções, a televisão brasileira encara o noticiário esportivo como brincadeira de crianças

POR ALGUM motivo, com as raras exceções de praxe, a televisão brasileira trata o aficionado do esporte como uma criança de no máximo dez anos de idade. Pode prestar atenção: nos telejornais da emissora hegemônica, quando vai falar de esportes, o locutor ou locutora abre o sorriso como se dissesse “hora do recreio, meninos”.

Fátima Bernardes, por exemplo. Depois de narrar com expressão tensa as desgraças do mundo, ela descontrai o rosto numa fração de segundo e diz: “E agora, o futebol”. É a senha. Parece estar chamando o espectador para uma conversa amena sobre as traquinagens dos filhos. Em seguida, entram repórteres engraçadinhos fazendo piadas e trocadilhos constrangedores. E os noticiários esportivos das outras emissoras, como sempre, copiam.

Reportagens investigativas, informações incômodas, questionamento do poder? Nem pensar. Melhor alimentar o culto à celebridade, promover enquetes tolas, esconder os problemas. Os profissionais envolvidos, a começar pela simpática e competente Fátima, não são evidentemente os responsáveis por isso. Cumprem simplesmente uma orientação geral de suas empresas.

Nada contra o humor, muito pelo contrário. O “Cartão Verde”, da TV Cultura, o “Rock Gol”, da MTV, e as incursões esportivas da turma do “CQC”, da Bandeirantes, costumam ser muito engraçados.
A diferença, a meu ver, é que o humor desses programas “periféricos” é crítico, independente, muitas vezes iconoclasta. O que irrita é o humor oficial, a favor, que nunca deixa de ser pueril.

O esporte tem, inegavelmente, um aspecto de refresco em meio às catástrofes do planeta. Mas isso não impede que seja tratado de forma adulta, crítica e inteligente. Mas talvez o problema seja mais amplo. Na nossa TV aberta, já faz tempo que o jornalismo como um todo é um mero ramo do entretenimento. A informação é secundária.A reflexão, quase uma ofensa. Na cobertura esportiva, essa sorridente tendência obscurantista só se exacerba. É mais atual do que nunca a frase do Millôr: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

1 comment setembro 16th, 2008

Assustado!

Mais uma vez, Ronaldinho Gaúcho é mote para um post aqui no Blog Sem Firula. E isso vai continuar enquanto jornalistas continuarem dizendo absurdos e não dizendo o invisível óbvio ululante (como diria o falecido Nelson). E o que o jornalista Lédio Carmona disse nesta segunda, no Arena Sportv, me deixou muito, muito assustado. Questionado sobre a presença de Ronaldinho Gaúcho na seleção, ele disse que sim, que a presença de Gaúcho é imprescindível, porque ele chama a atenção, é o jogador mais conhecido, dá mais autógrafos que o Luís Fabiano e é uma referência importante para a seleção. Nas Olimpíadas, por exemplo, justificou Lédio, Ronaldinho causou frisson em Pequim, e a seleção não pode abrir mão de um jogador assim.

É brincadeira? Será que eu ouvi direito? É possível um cara que trabalha com isso, que vive disso, dizer algo assim? Qual seria o meio-campo ideal para Lédio Carmona? Ronaldinho, Rodrigo Santoro, Carmem Miranda e Tom Jobim? Seria um meio campo estrelar, não é não, Lédio?

Fabiano Rampazzo

2 comments setembro 8th, 2008

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